Cuide do seu jardim

Percebi que a pessoa mais difícil de nós conhecermos e amarmos são nós mesmos. Um dos segredos
que me fez mais forte, mais segura e mais feliz mesmo quando ainda estava em busca do amor foi aprender a me amar.

Existe um exercício simples que já li em vários lugares que é se olhar no espelho e dizer ‘Eu te amo’. A intensidade e verdade com que você consegue dizer isso já é uma amostra do quanto é difícil.

Em nossa vida procuramos a felicidade fora de nós, com acontecimentos. Declaramos que seremos felizes quando nos formarmos, quando fizermos a viagem dos sonhos, quando tivermos nossa casa própria, quando casarmos, quando tivermos filhos. E, na vida vivemos buscando essas coisas ou ao conseguir, observamos que a felicidade não está ali. A alegria da conquista existe, mas é momentânea. O que buscamos é a felicidade que nos dá paz. E, essa felicidade não está lá fora, está dentro de nós.

Depois de muitos anos de aprendizado, entendi que o melhor caminho seria o famoso ‘desencanar e cuidar do jardim’ que poderiam me trazer a felicidade esperada. Só não podemos deixar que o fato de ‘desencanar’ faça com que perdemos o foco de nossos desejos, pois se desejamos um amor, temos que projetar isso, idealizar, saber que tipo de amor queremos viver, isso é foco, mas o desencanar é se preparar, cuidar primeiro do seu jardim, para esse amor que foi projetado, desejado, possa vir depois, como uma borboleta que quer pousar no seu jardim, e ela vem sem esforço.

Existe um filme chamado ‘Sob o sol de Toscana’ que retrata perfeitamente esse conceito de cuidar do Jardim. A história é de uma mulher recém divorciada por descobrir a traição do marido que vai viajar para Toscana e, acaba comprando uma casa e ficando por lá, não volta para os Estados Unidos.

Nesse lugar, ela conhece um corretor de imóveis que se torna amigo dela e ele diz algo que me marcou muito e comparei com a analogia do cuidar do jardim para chegarem as borboletas. Esse homem contava que foram construídos trilhos de trem entre Viena e Veneza, aguardando a chegada de um trem que ainda não existia, mas eles sabiam que viriam.

Então meu convite é que nos esqueçamos das borboletas e do trem nesse momento e focamos no jardim e nos trilhos. Precisamos cuidar da terra para plantar as sementes, regar para que as plantas possam nascer, retirar as pragas e os gafanhotos que possam destruí-las e, após todo esse preparo, poderemos observar na primavera essas flores nascendo e deixando o jardim maravilhoso onde, a nossa alegria completa é ver o jardim bonito, florido e, enquanto estamos contemplando esse jardim com gratidão, observamos que a borboleta chegou, sem que fizéssemos nenhum esforço, mas ela chegou.

Como está o seu jardim? Está preparado para as borboletas?

 

Claudia Barbieri

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